A 70ª Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece) trabalha com a expectativa de elevar em 50% o volume de transações financeiras, passando dos R$ 20 milhões do ano anterior para R$ 30 milhões. Segundo a organização, o evento se firma como vitrine relevante para os pequenos negócios locais.
A feira é um ponto de encontro tradicional entre gerações de visitantes, com presença garantida ao longo de sua história. Outro público constante são os pequenos expositores, entre artesãos e produtores regionais.
A projeção do evento também atrai participantes de outros estados. Mineiro, o comerciante João Paulo, do estande "Empório de Minas", reflete sobre as dificuldades de vender produtos artesanais de alto valor agregado na Capital.
Estreante na Expoece, o vendedor de queijos relata que o consumidor local dá valor à mercadoria, mas compara muito e busca descontos: "Sentimos que as pessoas buscam muito o preço. Por mais que seja um produto nobre, de linha premium, procuram pechinchar. É um público que compra, mas pesquisa bastante", afirma o comerciante.
Ele explica que essa reação decorre do fato de o mercado cearense estar acostumado ao queijo coalho tradicional, vendido em peças grandes por R$ 20 ou R$ 30, enquanto variedades maturadas, como o queijo Canastra, têm custo de produção mais elevado e maior valor agregado.
Em paralelo às atrações da exposição agropecuária, o Ceará consolida sua liderança nacional no setor pesqueiro e aquícola, segmento que movimenta cerca de R$ 4 bilhões por ano no Estado.
Ainda assim, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais. "Os entraves e a lentidão do licenciamento ambiental e a forte concorrência de camarão importado do mercado internacional, que desafia as margens de preço locais", afirma Oriel Nunes, secretário de Pesca e Aquicultura do Ceará.
De acordo com o titular da pasta, a demora na emissão de licenças ambientais dificulta o acesso de pequenos produtores a novos créditos, enquanto países como o Equador se destacam como concorrentes agressivos no mercado global.
Ao avaliar os indicadores do setor, o secretário ressalta a expansão territorial da aquicultura estadual, que superou a meta inicial de 15 mil hectares de lâmina d'água. Dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam que a área cultivada chegou a 16.233 hectares, consolidando polos produtivos como Aracati e Jaguaruana.
Na carcinicultura, o Estado mantém a liderança da produção, responsável por mais de 53% do volume nacional, com movimentação de R$ 1,93 bilhão apenas nesse segmento.
Para o fim do ano, a SPA prevê avanços em três frentes: safra recorde na carcinicultura, permanência no topo do ranking de exportações — com destaque para a venda de lagostas inteiras congeladas aos Estados Unidos e à China — e a injeção de crédito via Banco do Nordeste (BNB).
Frente aos impactos do fenômeno El Niño, a aquicultura adotou medidas preventivas nos tanques, como aeradores mecânicos para conter a queda de oxigênio, redução da densidade de povoamento por metro cúbico e ajuste no fornecimento de ração em dias de calor extremo. Estão previstos ainda o monitoramento diário do pH, a instalação de telas de proteção e investimentos em tecnologias de reuso de água.