Reeleito para a Câmara dos Representantes de Massachusetts pelo Partido Democrata, o pernambucano Danillo Sena declarou que a política de imigração adotada no segundo mandato de Donald Trump vem gerando temor entre trabalhadores estrangeiros, incluindo os que não têm antecedentes criminais. Em entrevista concedida na quinta-feira, 5, o parlamentar descreveu a postura do governo como uma “perseguição” e relacionou economia e imigração aos resultados das eleições de meio de mandato (Midterms).
Sena nasceu em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, tem 40 anos e mora nos Estados Unidos desde os 14, idade com que saiu do município pernambucano acompanhado da mãe e do irmão. A família fixou residência em Acton, onde ele vive até hoje. Conforme o deputado, a mãe dele lecionava no Brasil e tomou a decisão de emigrar após se aposentar.
O parlamentar concluiu o ensino médio na Acton-Boxborough Regional High School e depois frequentou o Middlesex Community College e a Universidade de Massachusetts em Amherst, instituição em que se graduou em Ciência Política. Nos tempos de escola, conheceu Jamie Eldridge, à época deputado e mais tarde eleito senador de Massachusetts. Sena relatou que a aproximação com o parlamentar ocorreu em conversas sobre os obstáculos vividos por imigrantes. Em seguida, integrou o gabinete de Eldridge, no qual exerceu a função de diretor distrital por seis anos.
A primeira disputa eleitoral de Sena aconteceu em 2020, com resultado vitorioso. Ele ocupa uma cadeira na Câmara dos Representantes de Massachusetts desde então, ainda no período da pandemia de Covid-19, representando o 37º Distrito de Middlesex, que abrange cerca de 44 mil eleitores de seis cidades.
Sobre as medidas migratórias, o deputado disse que elas alcançam quem trabalha no país há vários anos e tem filhos nascidos em solo americano. De acordo com ele, o temor de detenções se incorporou ao dia a dia de imigrantes empregados em áreas como construção e jardinagem. “Não existia essa perseguição como acontece nesse segundo mandato do presidente Trump”, afirmou. Sena criticou as prisões de trabalhadores sem histórico criminal e a política de deportações em massa. Na visão dele, as autoridades precisam levar em conta a permanência dessas famílias no país. “São pessoas que estão trabalhando, pessoas de boas índoles que querem um futuro melhor”, declarou.
O deputado associou o bom resultado dos Democratas nas eleições de meio de mandato ao custo de vida e à reação de parte do eleitorado às ações migratórias do governo Trump. O Partido Democrata assegurou maioria na Câmara dos Representantes, com 237 assentos, e no Senado, com 54 cadeiras. Na leitura de Sena, os efeitos de conflitos internacionais sobre os preços de combustíveis e alimentos alimentaram a insatisfação dos eleitores, e ele mencionou o peso dessas despesas no orçamento familiar. “A gasolina sobe, os produtos sobem, a comida”, pontuou. Para o parlamentar, os americanos estão “pagando no bolso o preço desses conflitos”.
Questionado sobre a convivência com os Republicanos na legislatura estadual, Sena respondeu que existe espaço para trabalho conjunto e menos extremista. Ele citou a educação como uma das áreas em que parlamentares das duas legendas fecharam acordos. “Tem muitos programas, projetos de leis que a gente passa e que são os dois partidos trabalhando juntos”, disse. Como exemplo, lembrou uma iniciativa de alfabetização apresentada ao lado de um deputado adversário. O texto prevê a adoção de currículos e práticas de alfabetização baseados em evidências, além de ações de formação de professores e de acompanhamento da aprendizagem. “Tem muitas áreas que a gente trabalha em conjunto”, declarou.