Enem: entenda como os corretores avaliam a redação e o que pode zerar a nota

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Enem: entenda como os corretores avaliam a redação e o que pode zerar a nota

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) cobra dos participantes um texto dissertativo-argumentativo em que se defenda um ponto de vista sobre o tema proposto e se apresente uma proposta de intervenção social para o problema. A avaliação da produção escrita é feita com base em cinco competências textuais.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os cinco pilares de correção foram definidos para dar mais objetividade e padronização ao processo avaliativo. Por isso, além de escrever bem, o candidato precisa compreender o funcionamento da banca e o que é esperado em cada parte do texto.

Cada redação é corrigida por, no mínimo, duas pessoas, que atribuem de 0 a 200 pontos a cada um dos cinco itens, somando até mil pontos. A nota final corresponde à média das duas ou mais avaliações. Para alcançar boa pontuação, o estudante deve apresentar argumentação consistente e coerente, respeitando as normas do português.

A produção textual é avaliada desde o domínio da língua portuguesa até a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema, passando pela compreensão da proposta e pela coesão dos argumentos. Erros como marcas de oralidade, fuga ou tangenciamento ao tema, argumentos pouco consistentes, ausência de conectivos e propostas sem elementos concretos podem reduzir ou até zerar a pontuação nas competências.

Para Nelândia Teodoro, professora de redação nos colégios Master e Antares, o Enem passou a valorizar a capacidade de análise dos estudantes em detrimento de esquemas genéricos ou modelos prontos decorados, o que está profundamente ligado às competências 2 e 3. A docente destaca que os textos motivadores mudaram de perfil nos últimos anos e passaram a exigir leitura mais apurada. "Nesses dois últimos anos, que os textos motivadores se diversificaram, deixaram de ser meramente informativos ou publicitários, e passaram a trazer, por exemplo, textos literários", explica.

"O aluno que não sabe ler e interpretar texto motivador, que vai com a ideia formada de que é só pegar a palavra do recorte e colocar dois problemas ali, pode ser que ele não atenda a expectativa da banca em relação à proposta e aí vai gerar problemas nas competências 2 e 3", afirma Nelândia Teodoro.

No ano passado, de acordo com a professora, a correção do Enem identificou falta de habilidade leitora dos candidatos, pois o tema exigia perspectivas do envelhecimento na sociedade brasileira, e não os desafios. "Os estudantes que estavam menos preparados entenderam que deveriam colocar dois pontos de vista, confundindo com os desafios", diz.

A própria Cartilha de Redação do Enem chamou atenção para os "repertórios de bolso", que podem diminuir a pontuação dos alunos. O termo se refere a referências "prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos(as) participantes, de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto". "Se essa tendência se mantiver, os alunos deste ano vão de novo se deparar com essa dificuldade", destaca a docente.

Por isso, é fundamental que os estudantes usem repertórios pertinentes ao assunto tratado, articulados com os argumentos e relacionando o conhecimento ao problema discutido. "Se o repertório for inserido de forma decorada, automática ou forçada, pode ser avaliado como não produtivo, o que poderá prejudicar a nota da Competência II", destaca a Cartilha.

Também é preciso atenção para não se afastar do tema e, principalmente, do recorte da proposta. Avaliado na competência 3, o estudante precisa definir um ponto de vista a ser defendido e estabelecer caminhos para que o raciocínio mantenha coerência e fidelidade ao tema.

A diferença desse pilar de correção para o 4º é que este cobra a coesão textual, avaliando as marcas linguísticas que ajudam o leitor a chegar à compreensão profunda do texto. Trata-se, por exemplo, de analisar o bom uso de conectivos entre períodos e parágrafos; a troca de palavras por sinônimos ou expressões resumitivas para evitar repetições; e o uso de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos ou de advérbios e artigos que indiquem localização ou retomem ideias já apresentadas.

Já a quinta competência, que foca no último parágrafo do texto, requer que o aluno demonstre o exercício da cidadania e atuação real em consonância com os direitos humanos. Além da relação direta com o tema, a proposta de intervenção deve apresentar quem vai executar o que foi proposto, qual é a ação, como viabilizar a solução e qual efeito alcançável. Na redação do Enem, são avaliadas como contrárias aos direitos humanos ideias que atentem contra eles.

Em setembro deste ano, o Inep disponibilizou a Cartilha de Redação do Enem 2026, documento com as principais orientações sobre a prova dissertativo-argumentativa. O guia é publicado anualmente com dicas para melhor compreensão da estrutura do exame e de como é feita a correção.

Além da Cartilha, o Ministério da Educação (MEC) lançou o aplicativo MEC Enem — o Simuladão do Enem. A plataforma permite que os candidatos testem seus conhecimentos para a prova, inclusive da redação. É possível encontrar temas baseados em provas antigas e elaborar textos para que a inteligência artificial do MEC Enem corrija a redação. O estudante recebe um gabarito com sugestões de melhoria e uma pontuação estimada para a prova. O MEC Enem está disponível na Apple Store e na Google Play, mas também pode ser acessado via navegador.