Ex-presidente paraguaio Santiago Peña é detido em casa após impeachment

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Ex-presidente paraguaio Santiago Peña é detido em casa após impeachment

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido nesta sexta-feira (6) em sua residência, em Assunção, poucos minutos depois de ter sido destituído por meio de um processo de impeachment motivado por uma crise bancária que bloqueou os depósitos de metade da população do país. A informação foi confirmada pela Promotoria.

“Ele permanecerá em condição de detido em seu domicílio”, declarou à imprensa a promotora Silvia Margarita González Vester. Peña deverá ser levado à Promotoria no sábado (7), às 11h (horário de Brasília), para ser interrogado sobre os supostos crimes de violação de confiança, tráfico de influência e gestão em proveito próprio.

O ex-presidente havia renunciado ao cargo na quinta-feira (5), em meio à crise do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. O Congresso paraguaio já havia protocolado um pedido de impeachment contra o então presidente na quarta-feira (4).

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (...). Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, afirmou Peña em vídeo publicado no X, no qual destacou que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”.

Mais de 3 milhões de pessoas tiveram as contas bancárias congeladas, e diversos manifestantes voltaram a protestar em Assunção, exigindo a devolução do dinheiro e o julgamento do presidente. Longas filas também foram registradas na quinta-feira em frente a agências do Ueno Bank, com clientes tentando sacar valores.

“É o dinheiro da nossa aposentadoria, que agora não sabemos se vamos receber”, disse a médica Teresa Montiel. “Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis (cerca de R$ 7). Todos têm que ser presos”, afirmou Marcelino Vergara, de 68 anos.

O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital, suspendendo os serviços da instituição. O escândalo financeiro resultou na renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo.