As duas principais candidaturas ao Governo do Ceará adotaram estratégias distintas na aplicação dos recursos durante a disputa eleitoral de 2026. O prazo para a prestação de contas terminou em 3 de novembro, quando os candidatos apresentaram à Justiça Eleitoral o total de despesas de suas campanhas. Os gastos declarados revelam frentes de atuação com convergências, mas prioridades diferentes.
Reeleito ainda no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Elmano de Freitas (PT) teve como principal despesa o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais, com mais de R$ 5,9 milhões investidos — o equivalente a 52% de todo o recurso usado por ele na campanha.
Já Ciro Gomes (PSDB), candidato derrotado, concentrou seu maior investimento na produção de conteúdos, que somou R$ 4,5 milhões, incluindo vídeos e programas utilizados no horário eleitoral gratuito para rádio e televisão. Esse orçamento representou 36% do montante total de despesas do tucano.
Ambas as candidaturas também aplicaram recursos em materiais de campanha impressos, militância, transporte e deslocamento, além da locação de espaços físicos e de veículos, entre outros itens.
Os dados sobre recursos e despesas da campanha eleitoral de 2026 estão disponíveis no Divulgacand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foram coletados nesta quinta-feira (5). As informações de ambos os candidatos foram atualizadas pela última vez em 3 de novembro.
Entre as três maiores despesas das duas campanhas, apenas uma é comum a Elmano e Ciro: o impulsionamento de conteúdos nas redes sociais. Apesar de ambos terem aplicado cifras milionárias, o investimento petista supera o tucano. Elmano gastou mais de R$ 5,9 milhões, enquanto Ciro pagou R$ 2,6 milhões. No caso do candidato derrotado, esse gasto foi superado pelo investimento na produção de programas.
O terceiro maior gasto da candidatura tucana foi com serviços advocatícios, no qual foram investidos R$ 1,7 milhão. Para efeito de comparação, Elmano declarou ter gasto R$ 475 mil nessa mesma categoria.
Na campanha petista, os maiores gastos foram, nesta ordem: impulsionamento de conteúdos, serviços prestados por terceiros e atividades de militância e mobilização de rua, nesta última com quase R$ 920 mil.
Os serviços prestados por terceiros abrangem diversas atividades, como segurança, limpeza, apoio administrativo e locação de equipamentos e espaços para produções audiovisuais. O maior gasto desse tipo foi com uma empresa de relações públicas, na qual a campanha petista investiu R$ 1,6 milhão. No total, foram R$ 1,9 milhão gastos com serviços prestados por terceiros.
Despesas comuns aos candidatos também incluíram transporte e deslocamento, além da locação de imóveis — por vezes utilizados como comitês de campanha.
Para transporte, a campanha de Elmano de Freitas gastou pouco mais de R$ 817,2 mil, divididos entre cessão ou locação de veículos e despesas com deslocamento não especificadas. No caso de Ciro, essas despesas ficaram na casa de R$ 1,2 milhão, incluindo ainda combustíveis e lubrificantes. Nas duas campanhas, o maior gasto desse tipo foi com "despesas com transporte ou deslocamento", com R$ 1,03 milhão por Ciro e R$ 703 mil por Elmano.
Na locação de bens imóveis, a candidatura do PT gastou R$ 72,5 mil, enquanto a tucana investiu R$ 51,1 mil. A campanha do PSDB também registrou um gasto de R$ 100,5 mil com a pré-instalação física do comitê de campanha.
As duas candidaturas também investiram na produção de materiais de campanha, como impressos, adesivos, carros de som e produção de jingles, vinhetas e slogans. No total, Elmano teve despesas de R$ 868,7 mil com essas publicidades, enquanto Ciro gastou R$ 834 mil.
O envio de informações sobre os recursos financeiros das candidaturas eleitorais começou em 20 de julho, cerca de um mês antes do início oficial das campanhas. A partir dessa data, todos os valores recebidos para o financiamento dos candidatos precisavam ser informados à Justiça Eleitoral.
Entre os dias 9 e 13 de setembro, deveria ter sido enviada, de forma obrigatória, a prestação de contas parcial das candidaturas, detalhando movimentações financeiras, recursos recebidos e os utilizados até 8 de setembro.
Em 3 de novembro, encerrou-se o prazo para o envio da prestação total de contas à Justiça Eleitoral. A única exceção são os candidatos que ainda concorrem no segundo turno, cujo prazo vai de 26 de outubro a 14 de novembro.
Todas essas informações ficam disponibilizadas no Divulgacand, onde é possível consultar detalhes sobre os recursos recebidos pelos candidatos e os financiadores das campanhas. As receitas e despesas de campanha também podem ser consultadas pelo portal de dados abertos do TSE. Além disso, ficam detalhadas todas as despesas das candidaturas, com extratos bancários e notas fiscais desses gastos.