No próximo domingo (8), os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 enfrentarão uma maratona de 5h30 para concluir 90 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e de Ciências Humanas e suas Tecnologias, além de elaborar a Redação. Dominar os conteúdos é importante, mas saber administrar o relógio para dar conta de toda a tarefa também se mostra decisivo.
Um dos pontos centrais nesse planejamento é a Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo estatístico responsável por calcular as notas das questões objetivas do exame. O professor de História e supervisor do 3º ano na Organização Educacional Farias Brito, Dawison Sampaio, detalha como esse mecanismo funciona e por que ele deve orientar a estratégia do candidato.
“A TRI avalia, para cada aluno, seu conjunto de respostas. É o que chamamos de coerência pedagógica. Se porventura for detectado nesse sistema que você acertou uma questão difícil e errou uma questão fácil, a tendência é que a sua pontuação seja menor do que uma outra pessoa que não seguiu esse padrão”, afirma o docente.
Diante disso, Sampaio avalia que percorrer a prova de forma linear, na ordem em que as questões aparecem, tende a ser desvantajoso. “O ideal é que você consiga reconhecer as questões que você tem uma maior habilidade e começar por elas”, explica.
O supervisor, contudo, alerta para um cuidado: separar os itens em fáceis, médios e difíceis não quer dizer virar todas as páginas do caderno para classificar cada questão. Essa triagem precisa ocorrer de modo leve e espontâneo, deixando as perguntas complicadas para retomar com tranquilidade mais adiante.
Segundo o professor, é essencial que o estudante compreenda que essa tática integra o planejamento e não sinaliza desempenho ruim. “É preciso ter a capacidade de entender que, muitas vezes, você vai ter que pular uma duas ou mais questões tem que fazer parte da sua estratégia, que isso não impacte o teu psicológico a ponto de achar que você foi mal na prova porque você teve inicialmente que pular algumas questões”, destaca.
De acordo com Sampaio, uma das técnicas adotadas por muitos candidatos no primeiro dia é iniciar a prova pela redação. O texto deve ser dissertativo-argumentativo, com no máximo 30 linhas, trazendo uma reflexão e uma proposta de intervenção sobre um problema proposto.
Se começar pelas objetivas, o aluno já terá acumulado um grande desgaste e ainda precisará preencher o gabarito com atenção. Optando pela produção textual primeiro, a mente do candidato está “descansada”, segundo o professor.
Essas decisões dependem, sobretudo, do autoconhecimento de cada estudante. Conforme Sampaio, ao longo dos simulados o aluno consegue perceber quanto tempo gasta em cada etapa da prova. "Você aluno, você aluna, você é exatamente essa pessoa que sabe mensurar, que você entende qual é o seu tempo", afirma o professor. Dessa forma, encarar a prova com confiança e equilíbrio emocional é o passo decisivo para alcançar um excelente resultado.